Tucum

Turismo que une beleza e cultura

Reportagem do Diário do Nordeste destaca o trabalho da Rede Tucum. Confira:

Além da paisagem, a Rede Tucum propõe uma hospedagem diferenciada e interação com a comunidade.

Praia de Requenguela, Ceará (Foto: Ellen Freitas)

Na Praia de Requenguela, também em Icapuí, uma passarela foi construída para facilitar o passeio pelo manguezal (Foto: Ellen Freitas)

Russas/Sobral. Comunidades do litoral cearense fortalecem o turismo sustentável e oferecem aos visitantes passeios e atividades de interação e deslumbramento com as paisagens naturais. Desde uma trilha em dunas no extremo leste da costa, em Icapuí, até a visita a comunidades tradicionais a oeste, em Camocim e Amontada, a organização das comunidades vem gerando emprego e renda.


Com uma beleza quase intocável, a praia de Ponta Grossa, em Icapuí, no Litoral Leste, distante 210Km de Fortaleza, via CE-040, oferta ao visitante a tranquilidade para quem quer apreciar um visual paradisíaco. Junto a isso, a comunidade vem apostando no turismo ecológico, que leva o visitante a conhecer uma trilha entre a mata nativa e as dunas. A comunidade, essencialmente pesqueira, vem qualificando seus jovens no trato com turistas, desde o atendimento nas hospedagens até os passeios na costa.

Tatajuba, em Camocim (Foto: Ellen Freitas)

Tatajuba, em Camocim, é também uma das praias paradisíacas do litoral cearense (Foto: Ellen Freitas)

Ainda em Icapuí, a Passarela do Mangue Pequeno também tornou-se atrativo turístico. Inicialmente implantada para pesquisas e com o intuito de preservar o manguezal, a passarela recebe, durante todo o ano, estudantes universitários, pesquisadores e, durante as férias, turistas comuns, que se deslumbram ao cruzar o mangue em direção ao mar. A iniciativa, que teve à frente o Projeto De Olho na Água, da Fundação Brasil Cidadão, com o patrocínio da Petrobras, trouxe, além deste, outras alternativas para os jovens da comunidade.

Estrutura

A oeste do litoral cearense, a comunidade de Tatajuba, em Camocim, foi formada nos primeiros anos do século XX e ainda conserva como tradição a pesca de linha a bordo de canoas. Além da pesca, a renda das famílias vem da cata de mariscos, agricultura e criação de animais.

Há sete anos foram introduzidas à paisagem pequenas estruturas para hospedagem sustentável. Seus poucos chalés são feitos considerando os princípios da bio-construção e da permacultura, com fossa ecológica, tijolo solo-cimento e super adobe, que caracterizam a infraestrutura do turismo comunitário.

O acesso pode ser feito por passeio turístico vindo da Praia de Jericoacoara, ou pela CE-364 até Camocim, atravessa o Rio Coreaú de balsa e pega um carro tracionado ou buggy até Tatajuba, percorrendo 25Km de praia. O local também é destino de esportistas náuticos, em função de seus bons ventos.

Já na localidade de Caetanos de Cima, em Amontada, ainda hoje a comunidade se mantém articulada em defesa do direito à terra e ao território. São 55 famílias que possuem como fonte de renda a agricultura familiar, a pesca artesanal e também o turismo comunitário.

Como apoio a muitas comunidades, foi implantada, no Ceará, a Rede Cearense de Turismo Comunitário (Rede Tucum), em 2008. Ela é uma articulação formada por grupos de comunidades da zona costeira que realizam turismo comunitário no Estado. A ideia é favorecer a quem viaja por meio da Rede, a oportunidade de conviver com ambientes preservados, conhecer os modos de vida de comunidades tradicionais e fazer intercâmbios.

Respeitando os modos de vida e ambientes locais, os grupos comunitários constroem uma forma de turismo que valoriza as diversidades culturais e fortalece atividades tradicionais, como a agricultura e a pesca artesanais. A Rede Tucum oferece hospedagens em pousadas comunitárias, familiares ou em quartos domiciliares, além das delícias da culinária regional, com peixes, frutos do mar e animais de criação. Também são disponibilizadas trilhas para passeios ecológicos, pacotes para festas culturais e tradicionais, além de infraestrutura para realização de eventos diversos.

Praia de Ponta Grossa, Ceará (Foto: Ellen Freitas)

A Praia de Ponta Grossa, em Icapuí, é uma das mais preservadas do Estado (Foto: Ellen Freitas)

“Compreendemos o turismo comunitário como uma oportunidade para as populações locais possuírem o controle efetivo sobre o seu desenvolvimento, sendo diretamente responsáveis pelo planejamento e gestão das atividades, das estruturas e dos serviços turísticos propostos. Para alcançar este objetivo, são planejadas ações voltadas à infraestrutura destinada às atividades turísticas comunitárias; mobilização social em torno dos direitos humanos das comunidades costeiras; criação de estratégias de monitoramento e intervenção em políticas públicas de turismo”, afirma Rosa Martins, secretária executiva da Rede Tucum.

Possibilidades

No roteiro de viagem, o turista tem acesso a 15 comunidades, de Leste a Oeste do litoral cearense, como Tatajuba, Curral Velho, Caetanos de Cima, Flecheiras e Tapeba, além de Batoque, Prainha do Canto Verde, Assentamento Coqueirinho e Ponta Grossa. Dependendo do destino escolhido, quem busca esse tipo de turismo tem contato com o trabalho de pescadores em alto mar, a pesca nos manguezais, as manifestações artísticas populares, o artesanato em renda, palha, madeira e conchas.

Para a Rosa Martins, secretária executiva da Rede Tucum, “o grau de organização comunitária e a conscientização política e ambiental adquirida por essa comunidade, fazem do local exemplo de desenvolvimento sustentável nas diferentes atividades que praticam. Entre elas, os quintais produtivos, uma das fontes de trabalho e renda, de onde saem os produtos orgânicos que são incorporados aos cardápios de cafés da manhã e refeições servidas nas barracas, casas de famílias e pousadas”.

“O que se destaca nesse processo é a valorização das atividades culturais, com a Dança do Coco, realizada principalmente pelos jovens da comunidade, a contação de histórias, as novenas e as brincadeiras típicas do lugar, que costumam reunir os moradores”, finaliza.

*Fonte: Diário do Nordeste. Por Ellen Freitas e Marcelino Jr

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