Flecheiras tem a forma de uma enseada e a maioria das pousadas fica perto do mar. Durante todo o dia, na beira-mar, há gente fazendo caminhada, jogando futebol, tomando um demorado banho ou conversando com pescadores que voltaram do alto-mar.
Na primeira vez que visita o Ceará, o paranaense Luiz Carlos Kovacs decidiu levar a mulher e o filho direto para Flecheiras. “Queria fugir daqueles pacotes e roteiros turísticos tradicionais. Aqui (em Flecheiras) tem tranquilidade. Também é legal o contato com os nativos”, justifica.
No meio de um passeio entre as dunas de Flecheiras, surgem lagoas perfeitas para um banho no primeiro semestre do ano. É assim na Duna do Pôr do Sol, bastante visitada no fim da tarde e bem perto da sede, aonde se pode ir em uma boa caminhada ou no passeio de quadriciclo. Flecheiras foi cenário do programa No Limite, em 2009, e de um programa da apresentadora Ana Maria Braga. Na conversa com qualquer morador de Flecheiras, sempre surge uma lembraça da visita de personalidades que já foram descansar no paraíso.
Esculpida pela natureza, a Pedra das Índias lança o visitante a uma visão panorâmica da praia e ganhou esse nome por ser o ponto de observação privilegiado das índias que habitaram ali em tempos remotos, segundo os moradores.
Flecheiras também é local para encontrar a renda de bilro, um dos artesanatos mais característicos do Ceará. Mulheres e até alguns homens confeccionam a renda em almofadas nas calçadas. As rendeiras contam que antes precisam ir para Trairi porque não tinham venda na comunidade. Vale a pena observar o talento passado de geração em geração entrançando linhas coloridas que formam diferentes peças, de toalhas de mesa a roupas.
A praia conta com barracas que oferecem pratos típicos da região, como peixe frito, muqueca de arraia e outras delícias com crustáceos. A maioria delas é integrada às pousadas. À noite, a praia continua tranquila e com opções para um saboroso e, até, romântico jantar. Muitos estrangeiros e nativos resolveram montar pousadas e restaurantes com o crescimento de visitantes no lugar.
Pratos à base de algas
Quem passa por Flecheiras não pode deixar de conhecer o cultivo de algas que tem ajudado a gerar renda para os moradores do lugar e preservar os recifes costeiros da praia. Na Associação dos Produtores de Algas de Flecheiras e Guajiru, depois de serem colhidas e tratadas, as algas são vendidas em saquinhos e se tornam matéria-prima para cosméticos e pratos da gastronomia à venda na comunidade.
“Antes a gente colhia as algas e vendia para empresas do exterior. Agora aprendemos a tratar e fazemos tudo que fazem lá fora aqui”, conta Margarida dos Santos. Ela trabalhava como cozinheira nas pousadas e hotéis, resolveu aprender a tratar da alga e agora tem o restaurante “Barraca das Algas”, na estrada que dá acesso à entrada de Flecheiras.
Margarida e as outras “mulheres algueiras” de Flecheiras se “aventuram” na culinária com algas. É possível experimentar gelatinas, panqueca, tortas de frutos de mar, pizza, iogurte e saladas elaboradas com algas. Um dos quitutes mais procurados, segundo Margarida, é a cocalgas (doce parecido com a cocada) e o mousse feito à base da água retirada do cozimento da alga. “Quando esfria, fica igual a uma gelatina. O mousse à base de algas fica até mais gostoso que o normal”, garante.
Os pratos com algas podem ser experimentados em barracas, lanchonetes e restaurantes. No Restaurante do Nonô, por exemplo, a alga não aparece só no recheio da pizza, mas a sensação é que já está na preparação da massa. Os produtos de beleza, entre eles sabonete, shampoo e hidratante, também podem ser encontrados em lojas de Flecheiras. Os preços entre R$ 10 e R$ 2. Os criadores ainda oferecem um passeio de bote para conhecer a área de cultivo de algas no mar com direito a mergulho.